Juan Martín analisa no programa La Aventura del Saber os desafios da longevidade e dos cuidados em Espanha
Juan Martín, diretor do CENIE, participou no programa La Aventura del Saber, da La 2, onde abordou os principais desafios colocados pela nova sociedade longeva e apresentou as conclusões do relatório “O direito ao cuidado e a economia dos cuidados em Espanha”.
Martín explicou que o aumento da esperança de vida está a transformar profundamente a sociedade e obriga a repensar áreas essenciais como a saúde, a autonomia pessoal, o bem‑estar financeiro e os cuidados. Sublinhou que Espanha enfrenta uma realidade inédita: uma população cada vez mais longeva que exige novas respostas sociais, económicas e institucionais.
O diretor do CENIE destacou a necessidade de evoluir para sistemas de saúde mais orientados para a prevenção, capazes de antecipar a fragilidade e atrasar — ou evitar — situações de dependência. Segundo referiu, não basta ter sistemas preparados para curar doenças; é fundamental integrar a prevenção como um pilar estrutural, com recursos, organização e orçamento próprios.
A entrevista centrou‑se também no relatório O Direito ao Cuidado e a Economia dos Cuidados, que analisa o papel dos cuidados como infraestrutura fundamental do Estado social. Martín defendeu que os cuidados devem ser reconhecidos como um direito social e como um setor estratégico, equiparável à saúde, à educação ou às pensões.
Neste contexto, recordou que cuidar não é apenas “estar com” alguém, mas uma atividade que exige formação, conhecimento e reconhecimento profissional. Alertou igualmente para a precariedade que afeta o setor — altamente feminizado — e para o peso histórico assumido pelas famílias, sobretudo pelas mulheres, nos cuidados informais.
Martín assinalou ainda que o setor dos cuidados representa não só um desafio social, mas também uma oportunidade económica. A formalização de parte do trabalho informal permitiria criar emprego, gerar riqueza e reforçar um setor cuja procura aumentará nos próximos anos devido ao envelhecimento populacional.
Por fim, insistiu na necessidade de mudar a forma como olhamos para os cuidados: deixar de os entender como um custo ou uma resposta assistencial e passar a considerá‑los uma investimento em bem‑estar, autonomia e desenvolvimento económico. Como concluiu na entrevista, uma sociedade que cuida melhor é também uma sociedade com maior capacidade para gerar oportunidades, coesão e qualidade de vida.
Fonte – La 2: https://www.rtve.es/play/videos/la-aventura-del-saber/25-05-26/17084196/