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11/06/2026
Salamanca

IBERLONGEVA apresenta à Comissária do PERTE Saúde de Vanguarda a sua aposta ibérica por uma longevidade com sentido

IBERLONGEVA

O CENIE partilhou em Salamanca o alcance de IBERLONGEVA, OLAS e Território de Bem‑Estar, uma iniciativa transfronteiriça de cooperação entre Espanha e Portugal orientada para gerar ciência aplicável à preservação da autonomia, à ativação dos territórios e à promoção de uma longevidade saudável.

 

O Centro Internacional sobre o Envelhecimento (CENIE) realizou em Salamanca um encontro institucional com representantes do PERTE Saúde de Vanguarda, no qual foram apresentados os avanços de IBERLONGEVA, a sua evolução para OLAS — Observatório para uma Longevidade Ativa e com Sentido — e o conceito de Território de Bem‑Estar.

 

IBERLONGEVA é uma iniciativa transfronteiriça de cooperação entre Espanha e Portugal, promovida pela Universidade de Salamanca, pela Universidade de Vigo e pelo Instituto Politécnico de Bragança, com a participação do CENIE. O projeto, aprovado no âmbito do Programa Interreg VI‑A Espanha–Portugal — POCTEP — 2021‑2027, é cofinanciado pela União Europeia através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER). Esta dimensão ibérica e europeia é especialmente relevante, pois coloca a longevidade saudável não apenas como um desafio sanitário ou demográfico, mas também como um domínio de cooperação científica, inovação territorial e coesão social.

 

No encontro participaram Raquel Yotti, Comissária do PERTE Saúde de Vanguarda; Rosa María López Alonso, Subdelegada do Governo na província de Salamanca; Lucía Martínez Adrián, responsável de comunicação do Comissariado; e Raquel Hernández Delgado, assessora do CRED – Centro de Referência de Espaços de Dados da Direção‑Geral do Dado (Ministério para a Transformação Digital e da Função Pública). Pelo CENIE estiveram presentes Juan Martín, diretor do Centro, e Mónica de la Fuente, investigadora do CENIE.

 

A presença da Comissária do PERTE Saúde de Vanguarda conferiu ao encontro uma especial relevância institucional. Permitiu partilhar diretamente o alcance de uma iniciativa que o CENIE vem impulsionando, juntamente com os seus parceiros académicos ibéricos, em torno de um dos grandes desafios do nosso tempo: como transformar a longevidade numa oportunidade para a saúde, a prevenção, a inovação, a economia dos cuidados e o reequilíbrio territorial.

 

Durante a reunião foi entregue o documento “IBERLONGEVA, OLAS e Território de Bem‑Estar. Infraestrutura ibérica de investigação, dados e prevenção para uma longevidade saudável e um reequilíbrio territorial baseado em ciência”, elaborado para estruturar a visão científica, tecnológica e institucional do projeto. O documento sintetiza uma ideia central: IBERLONGEVA não deve ser entendido como um inquérito isolado; OLAS não deve ser concebido como um simples repositório de dados; e Território de Bem‑Estar não é uma etiqueta territorial, mas sim a tradução da evidência em prevenção, serviços, inovação, economia dos cuidados e coesão.

 

IBERLONGEVA parte de uma constatação simples, mas decisiva: viver mais não significa necessariamente viver melhor. O verdadeiro desafio das sociedades longevas consiste em preservar a autonomia, a capacidade funcional, o bem‑estar emocional, a participação social e a possibilidade de envelhecer com sentido no próprio ambiente. Por isso, o projeto trabalha com uma leitura multidimensional do envelhecimento, integrando fatores sociais, físicos, mentais, funcionais, clínicos, biológicos, económicos e territoriais.

 

A iniciativa desenvolve‑se em três territórios de elevada relevância demográfica: Zamora, Ourense e Bragança. Estes espaços permitem analisar o envelhecimento em contextos urbano, rural e misto, onde a longevidade não é uma abstração estatística, mas uma realidade quotidiana que interpela os sistemas de saúde, os serviços sociais, as redes comunitárias, a habitação, a mobilidade, os cuidados e a economia local.

 

Um dos valores diferenciais de IBERLONGEVA é o seu ecossistema de medição. SOCI‑LONGEVA aporta a dimensão social do projeto, recolhendo informação sobre condições de vida, convivência, redes de apoio, participação, habitação, ambiente, recursos económicos, solidão e saúde subjetiva. Esta camada é essencial para compreender que muitas trajetórias de perda de autonomia não se explicam apenas a partir da consulta de saúde, mas também a partir do lar, do bairro, da rede de apoio, da capacidade económica ou da disponibilidade real de serviços.

 

A esta dimensão soma‑se MENFIS‑LONGEVA, centrado na saúde física, mental e funcional. Este módulo incorpora variáveis relacionadas com sono e ritmos circadianos, stress percebido, ansiedade, depressão, resiliência, nutrição, atividade física, fragilidade, cognição e perceção social do envelhecimento. O seu interesse reside no facto de muitos destes fatores serem modificáveis e, portanto, poderem orientar estratégias de prevenção, intervenção comunitária e promoção de uma longevidade mais saudável.

 

O documento apresentado contempla ainda a incorporação progressiva de parâmetros clínicos, funcionais e biomarcadores, bem como novas dimensões, como a idade biológica e o bem‑estar financeiro subjetivo. A idade biológica pode oferecer uma medida complementar do envelhecimento fisiológico real, enquanto o bem‑estar financeiro subjetivo permite compreender como a segurança, o controlo e a tranquilidade económica influenciam a saúde, o stress, os hábitos, a adesão a recomendações preventivas e a possibilidade de envelhecer no próprio lar.

 

Neste contexto, OLAS — Observatório para uma Longevidade Ativa e com Sentido — é concebido como a infraestrutura que permitirá transformar dados em conhecimento aplicável. Não se trata de acumular informação, mas de organizar dados, garantir a sua qualidade, integrá‑los de forma segura, analisá‑los com metodologias transparentes e devolver conhecimento útil a investigadores, profissionais, administrações e cidadãos.

 

O seu potencial desenvolve‑se em várias escalas. À escala comunitária, OLAS pode ajudar a identificar perfis de vulnerabilidade, necessidades territoriais, desigualdades e oportunidades de intervenção preventiva. À escala personalizada, pode contribuir para orientar itinerários preventivos supervisionados, sempre com critérios de validação, explicabilidade, proteção de dados e responsabilidade profissional. A médio prazo, abre também caminho para modelos preditivos e gémeos digitais responsáveis, entendidos como ferramentas de apoio para simular cenários, priorizar recursos e avaliar melhor as intervenções — nunca como substitutos da decisão clínica ou social.

 

O conceito de Território de Bem‑Estar amplia esta lógica e projeta‑a sobre o desenvolvimento territorial. A longevidade deixa de ser entendida apenas como pressão assistencial ou desafio demográfico para se tornar um ativo sanitário, social, económico e científico. Um território longevo pode ser também um território de inovação, serviços de proximidade, economia de cuidados, emprego qualificado, investigação aplicada e coesão. Esta perspetiva permite ligar saúde e desenvolvimento territorial, situando a prevenção e o bem‑estar como motores de reequilíbrio e transformação.

 

O encontro realizado em Salamanca permitiu explicar esta visão em profundidade e partilhar uma arquitetura de trabalho que liga ciência aplicada, saúde preventiva, governação de dados, inteligência artificial responsável, atenção comunitária e cooperação territorial. As impressões recebidas posteriormente confirmaram a boa receção institucional da iniciativa, o interesse suscitado pela informação partilhada e a disponibilidade para manter aberto o diálogo perante futuras oportunidades de colaboração.

 

IBERLONGEVA, OLAS e Território de Bem‑Estar representam assim uma aposta numa ciência capaz de olhar o envelhecimento com rigor, mas também com futuro. Uma ciência que não se limita a descrever os desafios das sociedades longevas, mas que trabalha para os transformar em oportunidades de saúde, autonomia, bem‑estar e coesão.

 

O CENIE reafirma com esta iniciativa o seu compromisso com uma longevidade entendida não como destino passivo, mas como campo de inovação, cooperação e responsabilidade pública. Preservar a autonomia, prevenir processos de fragilização e ativar territórios a partir da evidência constitui o núcleo de uma proposta que aspira a gerar conhecimento aplicável onde a vida acontece: nos corpos, nos lares, nas comunidades e nos territórios.