Actividades

22/12/2025
Online

Um grande júri para um grande concurso: quando o olhar é também uma forma de futuro

f

Cada ano, o Concurso Internacional de Fotografia do CENIE transforma a imagem numa conversa global sobre a vida, o tempo e a diversidade.

 

Desde a sua primeira edição, tem sido muito mais do que uma convocatória artística: é um convite a olhar o mundo com profundidade, a compreender a longevidade não como um número biológico, mas como uma história partilhada.

 

Em 2025, a sua sexta edição — sob o lema “A idade não nos define. O olhar sim.” — deu um passo decisivo.

 

O concurso não só se consolidou como uma referência no âmbito ibérico e latino-americano, como reafirmou o seu papel enquanto projeto cultural do CENIE, um espaço onde a ciência, a arte e a emoção se encontram.

 

E essa visão reflete-se na composição do seu júri: seis figuras internacionais que, a partir de trajetórias distintas, representam a diversidade do olhar humano.

 

A arte de ver o essencial: Isabel Muñoz

 

Prémio Nacional de Fotografia, Medalha de Ouro ao Mérito nas Belas-Artes e membro da Real Academia de Belas-Artes de San Fernando, Isabel Muñoz fez do corpo uma linguagem universal.

 

Os seus retratos, impressos em platina, revelam o invisível: a emoção como verdade.

 

Nas suas séries Mulheres do Congo, Água ou Antropologia dos Sentimentos, a pele torna-se território de memória e dignidade.

 

A sua presença no júri encarna uma ideia essencial para o CENIE: que a longevidade também é arte, uma forma de resistência e beleza.

 

A verdade no instante: Manu Brabo

 

Prémio Pulitzer e um dos fotojornalistas mais reconhecidos da sua geração, Manu Brabo retratou a dignidade em meio ao caos.

 

As suas imagens, captadas em conflitos como a Síria, a Líbia ou o Haiti, não procuram o impacto, mas a compreensão.

 

A sua incorporação no júri acrescenta a ética da testemunha: a convicção de que fotografar é escolher o que merece ser recordado.

 

Porque a longevidade também implica isso: saber o que conservar, que história preservar da passagem do tempo.

 

A memória como olhar: Sandra Balsells

 

Sandra Balsells, Prémio Ortega y Gasset, representa a memória comprometida.

 

A sua obra, que documenta a guerra dos Balcãs, a Palestina ou Moçambique, transforma a dor em consciência e a imagem em responsabilidade.

 

Como docente, defende uma ideia que se liga profundamente ao espírito do concurso: olhar também é aprender a cuidar.

 

A sua presença no júri traz a sensibilidade de quem fez da fotografia uma forma de preservar a dignidade humana.

 

A inovação que guarda emoções: Stéphanie Van Duin

 

Diretora da CEWE Espanha e referência europeia em inovação fotográfica, Stéphanie Van Duin simboliza a união entre tecnologia e emoção.

 

Demonstrou que a fotografia pode continuar a ser uma linguagem de memória numa era digitalizada.

 

A sua participação no júri reforça uma convicção partilhada com o CENIE: a imagem não só documenta a vida, como a conecta.

 

Porque por detrás de cada dado, como por detrás de cada rosto, há sempre uma história.

 

A imagem como consciência: Antonio López Díaz

 

Fotógrafo, cineasta e jornalista, Antonio López Díaz é uma voz fundamental da fotografia social contemporânea.

 

A sua obra une arte e denúncia: desde o impacto ambiental na Amazónia até à resistência das comunidades rurais, a sua câmara não julga, acompanha.

 

Professor na escola EFTI, ensina aos seus alunos uma lição ética: olhar o mundo é também uma forma de responsabilidade.

 

No júri do CENIE, o seu olhar acrescenta compromisso, respeito e uma profunda consciência do valor do humano.

 

A arte de fazer com que os olhares se encontrem: José Luis Amores

 

Fundador e diretor da escola EFTI durante quase quatro décadas, José Luis Amores foi o arquiteto de grande parte da cultura fotográfica em Espanha.

 

Gestor cultural e curador, impulsionou mais de 300 exposições e formou gerações de fotógrafos.

 

A sua incorporação no júri simboliza a vocação do concurso: ser um ponto de encontro entre gerações, estilos e sensibilidades.

 

O seu legado demonstra que a fotografia, tal como a longevidade, se constrói coletivamente, através do diálogo e da continuidade.

 

Um júri, seis olhares, uma ideia

 

O júri de 2025 encarna a essência do CENIE: a diversidade como força criadora.

 

Seis trajetórias, seis linguagens, seis formas de entender a imagem, unidas por uma mesma convicção: que olhar é uma forma de cuidar.

 

Da emoção à denúncia, da inovação à pedagogia, cada um deles amplia o horizonte do certame e reafirma a sua missão: mostrar a vida em toda a sua amplitude, sem estereótipos nem fronteiras.

 

O Concurso Internacional de Fotografia do CENIE não é apenas um evento anual: é um manifesto cultural que desafia a forma como representamos a idade, a diversidade e a experiência.

 

Através dos olhos do seu júri, o CENIE volta a recordar-nos que a longevidade não se mede em anos, mas em olhares que continuam a procurar sentido.

 

Um legado visual para sociedades longevas

 

Com mais de 15.000 obras apresentadas desde a sua criação, o certame consolidou-se como um dos projetos de comunicação cultural mais relevantes do CENIE.

 

O seu valor transcende o artístico: é uma crónica visual da longevidade, um arquivo que documenta como mudamos, como persistimos e como imaginamos o futuro.

 

Por isso, este ano, Um grande júri para um grande concurso torna-se um dos Destaques do Ano do CENIE: porque resume numa única iniciativa tudo o que o CENIE representa.

 

Um espaço onde a ciência se torna cultura, onde a idade se transforma em diversidade e onde a beleza, a ética e a emoção aprendem a conviver.